Europa do Sul e Portugal: alarmes ligados
- Segundo o Joint Research Centre (JRC) da UE, 41,2% da Europa já vivencia condições de seca em maio de 2025, atingindo especialmente o sul da Península Ibérica, Itália e Grécia.
- O relatório mais recente (junho de 2025) aponta fluxos fluviais reduzidos, solo ressecado e chuvas abaixo da média, ameaçando a agricultura, transporte fluvial e abastecimento.
- Em Portugal, até 60% do território esteve em situação de seca severa/extrema no fim de fevereiro, de acordo com o IPMA.
- A região do Algarve, palco de turismo intensivo, encara a seca como problema “sistêmico”, com reservatórios entre 22% e 43% de sua capacidade em meados de 2024. Mesmo após chuvas recentes, especialistas ainda recomendam cautela no consumo.
- Por outro lado, o Alqueva, no Alentejo, está perto da cota máxima operacional, indicando que há algumas regiões com reservas definidas, ainda que isoladas.
Brasil: seca que afeta toda extensão do país
- A seca entre 2023 e 2024 atingiu até 59 % do território nacional, gerando escassez hídrica em diversas bacias e impactos em agricultura, ecossistemas e comunidades .
- A superfície aquática diminuiu em cerca de 400 mil hectares, equivalente a mais de cinco vezes o tamanho de Singapura.
- O rio Negro, em Manaus, atingiu sua menor marca em mais de 120 anos (~12,11 m contra ~21 m), deixando milhares de famílias isoladas e sem água potável.
- O setor cafeeiro veio a recorrer fortemente à irrigação industrial, sobretudo em regiões como Bahia e Minas Gerais, com alto custo financeiro e hídrico, para manter a produção frente à estiagem.
- Outra preocupação crescente: datacenters em cidades como Caucaia (CE) consomem até 80% da água captada só para refrigeração, agravando a pressão sobre recursos locais.
- Além disso, usinas hidrelétricas das bacias do Paranaíba, Grande e Tocantins operam com níveis críticos; o setor energético recorre a termelétricas e importação de energia de países vizinhos devido ao colapso hidrelétrico.
Cenário global: seca acelera fragmentação hídrica
- Um estudo internacional liderado por Albert van Dijk identificou que 2024 foi o ano mais quente já registrado e contabilizou mais de 40 milhões de deslocamentos urbanos e US$ 550 bilhões em prejuízos causados por desastres hídricos entre secas e inundações.
- A OCDE reforça que a intensificação das secas é consequência direta das mudanças climáticas e do uso insustentável da água, pedindo ação coordenada globalmente.
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